RONALDO WERNECK NO CORREIO DAS ARTES

Um dos grandes poetas brasileiros, RONALDO WERNECK, ofereceu um belíssimo depoimento sobre sua carreira e visão poética, a outro grande escritor, SÉRGIO DE CASTRO PINTO. O texto completo saiu publicado no CORREIO DAS ARTES, Suplemento do jornal A UNIÃO, de setembro de 2011, nº 7, João Pessoa/PB. A certa altura de sua fala, RONALDO WERNECK cita o meu poema "DA POESIA", ao lado de poemas de BLAKE e CASIANO RICARDO, o que me encheu de orgulho.

Obviamente, no FB, o texto não se encontra muito legível. De qualquer maneira, tentei, em homenagem ao poeta, divulgar um pouco de sua fala (e de sua foto)e, ao final, reproduzo a parte em que fui mencionado, adicionando a íntegra do poema.

RONALDO WERNECK não é só um dos grandes nomes da cultura nacional, mas, um ser humano de primeira grandeza. Agradeço a sua amizade.
































































"Octavio Paz, de novo:"A prosa é a linha - reta sinuosa, espiralada, ziguezagueante, mas sempre para diante e com uma meta precisa. O poema, o círculo - algo que se fecha sobre si mesmo, universo auto-suficiente e no qual o fim é também um princípio que volta, se repete e se recria. E esta constante repetição e recriação não é senão o ritmo, maré que vai e que vem, que cai e se levanta". Valéry disse que a prosa é marcha; o poema, dança:"A poesia se distingue da prosa por não ter todas as mesmas permissões que essa última. Sobre o que eu "quis dizer" em tal poema, respondo que não quis dizer, e sim quis fazer, e que foi a intenção de fazer que quis o que eu disse. É a execução do poema que é o poema. Fora dela, essas sequências de palavras curiosamente reunidas são fabricações inexplicáveis".

Fabricações coincidentemente inexplicáveis, a exemplo de aleatórias divagações sobre um tema qualquer, vamos dizer "tigre", como se pode ver em três poetas absolutamente distintos: Tyger, Tyger, burning bright / In the forests of the night (William Blake). A beleza do tigre/ na cidade./ Um indício, talvez,/ da poesia como coisa/ selvagem (Cassiano Ricardo). O medo do mundo/ em cima do muro/ não// o malabarista/ na corda-bamba/ não// o olho do tigre/ exato certeiro/ o olho do tigre/ sim (Tanussi Cardoso).

(Depoimento de RONALDO WERNECK a SÉRGIO DE CASTRO PINTO)



DA POESIA


o canto do pássaro

à procura do vento

não


a promessa de amor

nas faces da lua

não


o medo do mundo

em cima do muro

não


o malabarista

na corda-bamba

não


o olho do tigre

exato certeiro

preciso


o olho do tigre

sim


(in, "Exercício do Olhar", Ed. Fivestar/RJ, 2006)










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