Obviamente, no FB, o texto não se encontra muito legível. De qualquer maneira, tentei, em homenagem ao poeta, divulgar um pouco de sua fala (e de sua foto)e, ao final, reproduzo a parte em que fui mencionado, adicionando a íntegra do poema.
RONALDO WERNECK não é só um dos grandes nomes da cultura nacional, mas, um ser humano de primeira grandeza. Agradeço a sua amizade.

"Octavio Paz, de novo:"A prosa é a linha - reta sinuosa, espiralada, ziguezagueante, mas sempre para diante e com uma meta precisa. O poema, o círculo - algo que se fecha sobre si mesmo, universo auto-suficiente e no qual o fim é também um princípio que volta, se repete e se recria. E esta constante repetição e recriação não é senão o ritmo, maré que vai e que vem, que cai e se levanta". Valéry disse que a prosa é marcha; o poema, dança:"A poesia se distingue da prosa por não ter todas as mesmas permissões que essa última. Sobre o que eu "quis dizer" em tal poema, respondo que não quis dizer, e sim quis fazer, e que foi a intenção de fazer que quis o que eu disse. É a execução do poema que é o poema. Fora dela, essas sequências de palavras curiosamente reunidas são fabricações inexplicáveis".
Fabricações coincidentemente inexplicáveis, a exemplo de aleatórias divagações sobre um tema qualquer, vamos dizer "tigre", como se pode ver em três poetas absolutamente distintos: Tyger, Tyger, burning bright / In the forests of the night (William Blake). A beleza do tigre/ na cidade./ Um indício, talvez,/ da poesia como coisa/ selvagem (Cassiano Ricardo). O medo do mundo/ em cima do muro/ não// o malabarista/ na corda-bamba/ não// o olho do tigre/ exato certeiro/ o olho do tigre/ sim (Tanussi Cardoso).
(Depoimento de RONALDO WERNECK a SÉRGIO DE CASTRO PINTO)
DA POESIA
o canto do pássaro
à procura do vento
não
a promessa de amor
nas faces da lua
não
o medo do mundo
em cima do muro
não
o malabarista
na corda-bamba
não
o olho do tigre
exato certeiro
preciso
o olho do tigre
sim
(in, "Exercício do Olhar", Ed. Fivestar/RJ, 2006)



CREPÚSCULO DE UM BEIJO
ResponderExcluirO que mais posso desejar
Senão um beijo seu?
Dele emana o calor me aquece
O mel que me alimenta...
Meu coração dispara!
Molhado ele se veste de paixão
Deslumbrante ele se torna com o crepúsculo,
Prisioneiro se transforma ao nascer do dia,
Senhor absoluto de minh’alma aguerrida.
Da chama eterna, o beijo desperta...
Lábios se tocam em loucuras,
Línguas sem idiomas se comunicam
Num total clima de amor e prazer
O êxtase se inicia...
É o crepúsculo de um beijo.
*Agamenon Troyan
Tanusi, estou sempre dando uma passada pelo seu blog. Aprecio sua luminosidade literária. Ando por aqui em plena efervescência do lançamento de "Pequenas Histórias do Delírio Peculiar Humano". A mídia tem dado toda cobertura. Estou feliz.
ResponderExcluirAbração
O Falcão Maltês