POETIZANDO PUBLICA TANUSSI CARDOSO


POETIZANDO, de Santos / SP, editado por EUNICE MENDES e WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO, em seu nº 40, de março a maio de 2011, publicou o poema "SOBRE O NOME DAS COISAS", dedicado a Luiz Ruffato. Nesse número, há poetas como FERNANDO PESSOA, ALUÍSIO DE AZEVEDO, ROBERT BROWNING, ELIZABETH BARRETT BROWNING, MACHADO DE ASSIS, BOCAGE, RICARDO ALFAYA, ANTONIO LUIZ LOPES, BENILSON TONIOLO, ANDERSON BRAGA HORTA, SÉRGIO BERNARDO, DINOVALDO GILIOLI, FERNANDO AGUIAR, entre outros. A revista POETIZANDO merece o nosso apoio, e aceita colaborações. Quem quiser enviar poemas ou pequenos textos, o endereço é o seguinte: Av. Eng. Luís La Scala, 186, CEP: 11075-150, Santos / SP. BLOG: www.revistapoetizando.blogspot.com. E-MAIL: walmordario@ig.com.br Assinatura anual: R$ 35,00. Cheque Correio ou nominal a/c de Walmor Dario Santos Colmenero. VALE À PENA.


sobre o nome das coisas

para Luiz Ruffato


I

porque todos os mistérios são santos,
não nomearemos o nome das
coisas.
ainda que os desertos floresçam
e o caos das chuvas transborde,
deles, o sangue não diremos.

II

no início era a Vida.
depois aprenderam os cães a ladrar
e o homem a chamar o nome das coisas
e os dedos a cruzar em nome de Deus.

III

ainda que encruado o Filho
ou mesmo que a serpente
renegue por 3 vezes
a árvore do desejo,
o nome não será.
ainda que lambam as chagas.
ainda que as lágrimas escorram,
toda a dor será cuspida
e o sol cumprido.

IV

quando caminhávamos na areia,
os nomes não havia.
havia o mar sem nome.
o céu, as frutas,
as pegadas dos pássaros
e o sonho havia sem nome.
tudo era simples.
simples os homens
sem nomes.

V
eram noites
e dias indefiníveis,
as coisas.
os olhos aprendiam o verde
e pescavam sem nomear.
os olhos ouviam tudo.
maravilhavam-se de
maravilhas!

VI

quem nos carrega nos ombros?
quem nossa língua nos bebe?
a quem dizer, quero?
a quem dizer, preciso?
a quem dizer, inocentes?

VII

as coisas que não diremos
habitam as cidades
e as sombras iluminam
escuras cavernas.
os dentes, os cabelos
arranca-nos, o tigre.

VIII

vivemos dentro de nós.
estrangeiros.
percorremos estradas,
ruas, cidades. nus e
estrangeiros.
cada sorriso, cada
abraço, estrangeiros.
nossos mares e navios,
estrangeiros.

IX

o Tempo se cola ao corpo.
o rosto envelhece.
unhas expurgam.
enruga a pele.
resta esperar.

X

quantas faces temos?
qual delas se chama
amor?
quem em nós se diz a
morte?
qual acende a vela do
templo?

XI

eis que
os nomes não ditos se esquivam
e o Verbo
que era barro
se faz
vento.

Tanussi Cardoso

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7 comentários:

Fabbio Cortez

É isso, Tanussi! Na disseminação genuína da cultura é que se corroboram grandes mentes como a sua, artista a gerar artistas, a fomentar arte sem cansar. Você mora na dimensão da Arte!
Parabéns e obrigado por ser essa coluna forte em prol da poesia no Brasil!
Seu fã,
Fabbio

Ricardo Alfaya

Oi,Tanussi,esse número 40, de Poetizando, é especial para mim também. Tive uma longa entrevista reproduzida na íntegra, além de vários poemas de "Frutos da Paixão", minha parte em "Vertentes", divulgados. Por sinal, seu nome é citado mais de uma vez em minha entrevista. Um grande abc, Ricardo Alfaya.

PapoPoetico

Arrasando parceiro. A imagem final Verbo/barro/vento é demais!

Eduardo Tornaghi

Disse e reafirmo!!

dudu perere

na gênese da palavra, pra lá do início, já quase computador é que o nome passa,regula e vai à caça.
Tb estou tentando me aventurar no blog, dá uma criticada lá: www.verbologue.blogspot.com
perere

TANUSSI CARDOSO

Abração, Fabbio, obrigado pelas palavras e presença.
Ricardo, vc é um dos maiores nomes da nossa poesia. Uma honta estar junto com vc no Poetizando e em nossos livros. Obrigado por sua amizade.
Tornagui, vc é uma das mais brilhantes presenças da cultura carIoca - no que entendo por cultura: verdade, vida, inteligência, humanidades, generosidade, igualdade, simplicidade, POESIA e doação - que conheço, daí, ficar emocionado com sua palavra e sua amizade. Obrigado por tudo, companheiro.
Vou pintar por lá, Dudu, obrigado pela presença.
Beijão pra todos, Tanussi

Marilena Soneghet

Tanussi - seus poemas me tocam, me atingem. Coloquei "Poema de Matal" no meu blogg, como um presente aos meus leitores (eu podia fazer isso?... ou abusei?).
Abraço da marilena (amiga da Myrian, lembra?)

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