MENSAGEM DE ANO NOVO

Meus amigos,

sabemos que em nossas vidas todos corremos, buscando “a tal da felicidade”. Afinal, para isso estamos aqui. E, sabemos, também, que podemos obter a felicidade através de vários meios. Mas, se pararmos para pensar, veremos que ela é, muitas vezes, relativa. Quando pensamos que a capturamos, se esvai, como areia, por nossos dedos. E voltamos a sofrer como antes. Por que isso acontece? Por que nossos sonhos não são duradouros? É óbvio: porque são baseados em fatores externos, que não estão dentro de nós. É uma felicidade ilusória, sempre dependendo da mudança dos ventos, como, por exemplo, a daqueles que buscam, somente, a conquista de algo material.

Nada contra os que buscam as delícias do dinheiro, do sexo, de tudo o que o mundo e a vida geram para nos dar alegria e prazer. Entretanto, como essa felicidade é etérea e efêmera, quando a conquistamos ou a perdemos, logo nos colocamos à procura insaciável de novas conquistas, o que nos traz angústia, ansiedade e sofrimento... Dirão alguns: “é do ser humano”.

Será?

Conheço (e vocês, com certeza, também) muitas pessoas que estão sempre em paz com o mundo e com os outros. Que nada parece perturbar-lhes. Nenhuma tragédia, nenhuma desgraça, nenhuma perda parece afetar-lhes o espírito. Ficam tristes, humanos que são, choram, se calam, mas nunca se desesperam. Estão sempre olhando a vida de frente, com o olhar para o futuro. Essas pessoas intuem, percebem, sabem que estão no caminho da felicidade ABSOLUTA. Sua qualidade de vida não se prende a fatores externos, elas são felizes, simplesmente, porque gostam de viver, gostam da VIDA; são felizes, simplesmente, pelo fato de estarem vivas. São seres iluminados.

Em geral, pessoas com essas qualidades não desejam a felicidade somente para elas. Querem dividi-la com todo mundo. Acreditam que todos somos iguais, dentro de nossas diferenças, e - apesar de parecer chavão - isso significa que todo mundo merece respeito, dentro de sua sexualidade, credo, raça, time de futebol etc. Crescem, através do sofrimento. Amadurecem para alcançarem a merecida vitória da felicidade interior. Sabem, como ninguém, superar as provações das chuvas e do sol escaldante. Têm sabedoria para superarem os "invernos" de suas vidas, sem fugirem das dificuldades que lhes são apresentadas. Sabem esperar a primavera. Com a sabedoria para conquistar a compreensão e o coração das pessoas. Com a beleza do significado real da palavra perdão, despido de qualquer sentido religioso. Elas lembram a generosidade dos pássaros que, orgulhosos, alçam voo, mas, humildes, sempre retornam à terra para buscar alimentos e retornar, novamente, aos ares, num aprendizado constante da energia da vida. De amor à vida.

Voltando ao início dessa mensagem. Apesar da importância das riquezas materiais; apesar da importância de termos boa saúde e cultuarmos, sim, o nosso corpo e suas habilidades e possibilidades; apesar de suas importâncias, essas riquezas, por si sós, não possibilitam o triunfo de uma vida. Essas riquezas só serão importantes, realmente, se existir dentro de nós um coração batendo em prol do filho, do irmão, do outro. Essa é a maior das riquezas. Esse é o verdadeiro sentido do Natal. A poesia eterna da Humanidade. À esse espírito costumamos chamar de fé.

Meus amigos, que em 2011, todos nós consigamos bater nossos corações em uníssono. Em harmonia com o Universo.

Abração do Tanussi

Rio, 24 de dezembro de 2010

NOTA SOBRE "VERTENTES", NA COLUNA DE HUGO PONTES

HUGO PONTES, um dos maiores poetas visuais do Brasil, e atento crítico da poesia contemporânea, nos deu a honra de notificar sobre o livro "VERTENTES", em sua coluna. Segue a nota na íntegra.


JORNAL DA CIDADE,
Poços de Caldas - MG
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

COMUNICAR-TE
LIVROS
HUGO PONTES


"VERTENTES": Coletânea de poemas e fortuna crítica. Diversos autores, Editora Fivestar, Rio de Janeiro, 2009


Elaine Pauvolid, Marcio Carvalho, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya e Tanussi Cardoso apresentam, nesta antologia, cada um, cinco livros de poesias. Os autores - reunidos em antologia anterior, denominada "Rios" - estabelecem um conjunto e conjugação de ideias e afinidade que fazem da obra um todo significativo e único, sem deixar que o leitor perceba as características literárias de cada um. A obra, bem cuidada editorialmente, reflete o trabalho desses autores que têm em comum o dom da boa palavra e do bom poema. Um poema de Tanussi Cardoso, pág. 182

SOBRE DOR E DEUS

I

Vivo
para lembrar nomes

Vivo
para perder paisagens

O tempo me esqueceu


HUGO PONTES é escritor, jornalista e professor. A sua Caixa Postal é 922, CEP 37701-970, Poços de Caldas-MG. O seu e-mail é hugopontes@pocos.net.com.br

TEXTO IMPERDÍVEL DO ESCRITOR NILTO MACIEL

Homem realizado ou satisfeito? (Nilto Maciel)

Esse texto maravilhoso de Nilto Maciel, onde, carinhosamente, sou citado, deve ser lido por todos nós escritores e poetas, que, muitas vezes, nos sentimos menos capazes do que, realmente, somos. O texto, além de belamente escrito, possui uma grande dose de autoestima, e de generosidade.
Parabéns ao Nilto.
Leiam no link abaixo:

http://literaturasemfronteiras.blogspot.com/2010/12/homem-realizado-ou-satisfeito-nilto.html

Abração meu, Tanussi Cardoso

ARQUITECTOS DEL ALBA - TANUSSI PUBLICADO EM UMA ANTOLOGIA NO PERU















Organizada por JOSÉ GUILLERMO VARGAS, essa antologia foi publicada durante o II Festival Internacional de Poesia, em 2009, em Bambamarca, Peru.

Os poemas selecionados nessa antologia serão publicados em outro ponto deste blog.

TANUSSI EM UMA ANTOLOGIA NA ESPANHA















POESÍA: POETAS PARA EL SIGLO XXI

EDITOR: FERNANDO SABIDO SÁNCHEZ

Antología de la poesía universal contemporánea

Poemas y biografía de los poetas

Más de dos mil cuatrocientos poetas de los cinco continentes

Más de 2400 poetas de todo el mundo en castellano, bio-bibliografías y selección de poemas

156 países representados en la antología

Quem quiser ler toda a matéria e saber maiores detalhes, por favor, acesse

http://poetassigloveintiuno.blogspot.com/2010/12/2275-tanussi-cardoso.html?showCom

Sábado, 4 de diciembre de 2010

LEO LOBOS (Santiago do Chile, 1966) é poeta, ensaísta, tradutor e artista visual. A seleção, notas e tradução dos poemas de Tanussi Cardoso realizaram-se nas comunidades de Puente Alto, Macul, Ñuñoa, Santiago de Chile entre os meses de setembro de 2006 e março de 2007.

NOTA: Os poemas selecionados nessa Antologia serão publicados em outra sessão deste blog.

TANUSSI CARDOSO E MARCIO CARVALHO PUBLICADOS NO MÉXICO

UNA MUESTRA CARIOCA DE POESÍA BRASILEÑA CONTEMPORÁNEA
ANGÉLICA SANTA OLAYA






A Revista ARCHIPIÉLAGO , Revista Cultural de Nuestra América, uma das mais prestigiadas do México, em seu nº 67, de fevereiro de 2010, publicou um alentado ensaio de três páginas sobre a minha poesia, baseado, principalmente, no livro "DEL APRENDIZAJE DEL AIRE" - "DO APRENDIZADO DO AR", uma antologia poética bilíngue, traduzida para o espanhol pelo poeta chileno LEO LOBOS e pela poeta mexicana ANGÉLICA SANTA OLAYA (livro a ser lançado no Rio de Janeiro em 2011), e, também, sobre a poesia de MARCIO CARVALHO, baseado em seu livro "NAVALHAS VOADORAS PARA CORTAR A TARDE".

O ensaio é de autoria de ANGÉLICA SANTA OLAYA (cidade do México, 1962). Mexicana, jornalista (UNAM) e formada na Escola de Escritores SOGEM. Primeiro lugar em dois concursos de contos curtos e infantis no México (1981 e 2004). Publicou: Habitar el tiempo, Miro la tarde, El Sollozo, Dedos de Agua e El lado oscuro del espejo. Participou de diversas antologias latinas e iberoamericanas, assim como de várias revistas impressas e eletrônicas, nacionais e internacionais. É professora da Escuela Nacional de Antropología e Historia (ENAH).





TANUSSI PUBLICADO NA UNIVERSIDAD NACIONAL AUTÓNOMA DE MÉXICO




TANUSSI CARDOSO
(Rio de Janeiro, 1946)

Traducción de ANGÉLICA SANTA OLAYA

VACÍO

Todo es soledad. Silencio.

Todo es misterio. Miedo.

Ahí, en la ebullición,

están naciendo las palabras.

Todo es angustia. Ausencia.

Todo.

Incluso el poema.

Principalmente el poema.


POEMA EM PORTUGUÊS:


OCO


Tudo é solidão. Silêncio.
Tudo é mistério. Medo.
Mesmo em ebulição
Nascendo as palavras.
Tudo é angústia. Ausência.
Tudo.
Mesmo o poema.
Principalmente o poema.


Publicado em A MEDIDA DO DESERTO e outros poemas revisitados, inserido em RIOS, Ibis Libris, Rio de Janeiro, 2003

OS ELEMENTOS DO ASSOMBRO, por ELAINE PAUVOLID



Jornal do Brasil Quarta-feira, 24 de novembro de 2010 PÁG. 42

IDEIAS & LIVROS

TANUSSI CARDOSO LANÇA ANTOLOGIA POÉTICA NA QUAL MORTE, MEMÓRIA E DESEJO SÃO OS TEMAS PRINCIPAIS

TANUSSI – Seus 50 poemas escolhidos chegam ao ponto da maturidade

Os elementos do assombro
Elaine Pauvolid
POETA

Tanussi Cardoso acaba de lançar uma antologia pela editora Galo Branco, 50 poemas escolhidos. Das participações nos agitos culturais da década 70 ao lançamento da coletânea, construiu uma obra que chama a atenção pela constância de qualidade. Mais que isso: nota-se o aprimoramento tanto da técnica quanto do olhar. A relação com a palavra e as coisas torna-se cada vez mais visceral, conforme o autor vai absorvendo o tempo, marcado pelo registro de sua biografia e livros.

Os versos puderam ser facilmente distribuídos por temas, independentemente do período de criação de cada um deles. Há poemas de quase todas as fases em cada um das partes do livro, à exceção da última, Das mortes, na qual há exclusivamente poemas do livro Viagem em torno de. Ainda que o autor não tenha tido essa intenção, termina a coletânea com poemas deste livro, que marca uma sensível mudança em sua poética.

No início da trajetória do autor, os elementos de sua poesia o intrigavam. Deixava antever nos versos a procura por respostas sem que isso fosse assumido como proposta. Os elementos eram apresentados com espanto e assombro. Essa estupefação vai construindo uma indagação, uma busca de sentido que vai se transformar, também, em elemento de sua poética. No interesse pelos elementos morte, memória e desejo, o autor aproxima-se cada vez mais deles. Estes elementos nos são mostrados através de lentes de aumento cada vez mais sensíveis.

A busca se torna tão aguda que já não a percebemos. O processo de indagação da morte, da memória e do desejo, que havia se tornado também um elemento de sua poética, se dissolve. Tanussi deixa de ser o poeta do estandarte, do grito de alerta, para silenciar nos elementos. É quando silencia que consegue transformá-los em objetos, e sua poética começa a encontrar o ponto de maturidade.

50 poemas escolhidos Tanussi Cardoso. Galo Branco. 116 pp. R$ 20

NILTO MACIEL: UM GRANDE ESCRITOR BRASILEIRO

AQUELA DOR NO PEITO
Retrato de mulher, Jeanne Rhéaume)

Após o almoço, costumo ler. Sempre as novidades. Deixo os clássicos para a noite. Desde ontem folheio o novo livro de Wilson Gorj: Prometo ser breve. Mas nunca leio numa tarde um livro todo. Não por preguiça. Prefiro ler aos goles: vou à copa, beberico umas gotas d’água, caminho pela casa, volto ao assento, reabro o volume. E assim passo uma hora.

Esse sossego, no entanto, é quase todo dia quebrado. Vez por outra, sou despertado pelos telefones – esses objetos quase totêmicos para muitos de nós. Oferecem planos de saúde e morte súbita, automóveis voadores, viagens aos confins do mundo (nosso, meu). Invento histórias terríveis, para me livrar desses vendedores de ilusões: ontem meu filho (não tenho filho) caiu do segundo andar; assaltaram minha casa e me levaram quase tudo.

Também os carteiros – esses portadores de cobranças bancárias – me chamam à realidade. Há, ainda, os vendedores de frutas e verduras, em carrinhos puxados a mão. Gritam, na calçada: Olha o limão verde, freguesa. Hoje tem abacaxi doce.

Às vezes, minha tranquilidade é roubada por jovens leitores. E eu muito me regozijo com esse roubo. Como se me levassem a angústia toda que me cose os retalhos da tarde.

Hoje recebi a visita da estudante Jéssica Morais. Quer ser escritora. Mostrou-me uns poeminhas. Como soube de mim? Buscava poesia na Internet e terminou encontrando meu nome. Deve ter sido no Jornal de Poesia, de Soares Feitosa. Na primeira mensagem escreveu: “Li umas poesias do senhor e gostei muito”. Foram mais de dez comunicações, minhas e dela. Na mais recente, se encheu de coragem: “Quero muito conhecer o senhor. Nunca vi um escritor de perto”.

Com vergonha de falar de mim, perguntei-lhe se conhecia Dante, Camões, Shakespeare. Sim, tinha lido um “resumo” da Divina Comédia, uns sonetos do luso, Romeu e Julieta. Como não sou conhecedor deles, temi meter-me numa enrascada dos diabos e decepcionar a garota. Preferi falar dos novos escritores: “Você conhece Wilson Gorj?” Não, não conhecia. Lembrou-se de Gorki. E falou de Dostoiévski, Gogol, Tolstói, Tchekhov. Fiquei embasbacado. Como esses jovens sabem de tudo!

Abri o livrinho do moço de Aparecida (nasceu em 1977, ano em que a revista O Saco se findou e me mudei para Brasília) e li em voz alta: “Wilson Gorj é um dos expoentes da nanoliteratura.” São palavras de Cairo Trindade, na apresentação do volume. Jéssica me interrompeu: “O que é nanoliteratura?”

As epígrafes de Wilson são do mestre inglês: uma de A tragédia do Rei Ricardo II, outra de Hamlet. O livro é dividido em “Microcontos” (38 narrativas curtíssimas, numeradas e sem títulos, e outras com títulos), “Reinações no reino da palavra” (algumas de uma linha, sem título; outras com título) e “Doses homeopoéticas” (todas com título, algumas mais longas: quatro, cinco, seis linhas).

A tarde morria. Lembrei-me de Castro Alves: “A tarde morria! Nas águas barrentas / As sombras das margens deitavam-se longas” (...). Minha sede aumentava. Meu medo passava, escorria para o quarto, calava-se debaixo da cama. “Quer ouvir algum continho do Gorj?” Eu não esperava resposta tão áspera: “Prefiro Homero, mas gosto do mesmo modo desses meninos de hoje”.

Li o primeiro: “O carro era zerado. Mas a namorada... Como era rodada!” Olhei para a cara dela. Fazia careta. Mas uma careta tão engraçada, tão bonita, que tive ímpetos de beijá-la. Contive-me. Não estou mais na idade desses arroubos. “Parece piada”. Ri, envergonhado. “Ouça este, então: ‘Aquele teria sido o sono mais longo de sua vida. Não tivesse acordado a sete palmos debaixo da terra’. Jéssica sorriu: “Este é bem melhor. O senhor não acha?” Irritei-me: “Por que você me trata assim, menina?” Ela se mostrou surpresa: “Porque o senhor me lembra meu avô”. Que pirralha mais atrevida! Tive até vontade de lhe dar umas palmadas. “Leia outro”. Li, agastado: “Perdeu a fé nos homens. Desde então se devota às mulheres”. O título é “Padre”. Riu, sem querer me ofender. De propósito, continuei a leitura e passei ao igualmente brevíssimo “Ondas”: ‘Teu corpo, praia deserta. Minha língua, o mar’. Ela entendeu tudo: “Esse Wilson Gorj é bem criativo”. Concordei com ela. E li uma frase de Mayrant Gallo, nas abas do livro: “E, se tudo é brincadeira, é preciso lembrar que, freudianamente, não existe brincadeira”.

Sedento, ofereci água à menina. Enquanto sorvia o líquido, ela vasculhava a pequena biblioteca da sala. Súbito, me pediu, por empréstimo, os dois volumes dos contos reunidos de Moreira Campos. Saciado, não pude dizer não. Afinal, literatura é entrega.

Ao se despedir, disse, rindo: “Enfim, consegui realizar mais um sonho: conhecer um escritor pessoalmente”. Dei-lhe um beijo na testa e, sem saber o que dizer, balbuciei: “Moreira Campos é o nosso Tchekhov.” Ela saiu, muito séria e faceira. Voltei ao livro de Wilson Gorj: “Aquela dor no peito, quem dera fosse poesia... Mas era crônica”.

Fortaleza, 8 de outubro de 2010.

NILTO MACIEL

Extraído do blog:

http://literaturasemfronteiras.blogspot.com/2010/10/aquela-dor-no-peito-nilto-maciel.html

LIVROS PUBLICADOS DE TANUSSI CARDOSO


* 50 Poemas Escolhidos Pelo Autor. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2010. Seleta de seus melhores poemas.
Os organizadores do evento "EU, LEITOR", que teve efeito no Centro Cultural Justiça Federal do Rio de Janeiro, de 26 a 30 de outubro de 2010, incluiram este livro, entre os 25 títulos obrigatórios como sugestão de leitura de poesia. Entre os livros selecionados de autores vivos, além dos "50 Poemas Escolhidos pelo Autor", de Tanussi Cardoso, foram citados os livros de Carlito Azevedo, Leonardo Fróes, Ferreira Gullar e Afonso Romano de Sant'Anna. Como honrosa companhia, livros de nomes exponenciais, como Drummond, Bandeira, Baudelaire, Blake, Ana Crisina César, Leminski, Maiakovski, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto, Murilo Mendes, Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, Sylvia Plath, Mário Quintana, Rimbaud, Rumi, Waly Salomão, Gaspara Stampa/ Louise Labe e Elizabeth Browning, Bruno Tolentino e Whitman.


* Carne Serena. Rio de Janeiro: Ed. Fivestar, 2009, inserido na coletânea de poemas “Vertentes”, junto com os poetas Elaine Pauvolid, Marcio Carvalho, Márcio Catunda e Ricardo Alfaya. Prefácio de Marcio Catunda.


* Exercício do Olhar. Rio de Janeiro: Ed. Fivestar, 2006. Apresentação de Gilberto Mendonça Teles e prefácio de Luiz Horácio Rodrigues. Livro lançado primeiramente na Cidade do México, a convite dos organizadores do Segundo Festival Latinoamericano de Poesia “Ser al fin una palabra”, dentro do Dia Mundial da Poesia. Finalista do Prêmio Nacional de Poesia Cidade de Juiz de Fora 2003. Melhor Livro de Poesia de 2006, no Congresso Latino Americano de Literatura, em São Francisco de Itabapoana / RJ.

Sobre esse livro, em 2008, o poeta e ensaísta Igor Fagundes escreveu um alentado ensaio, “A Poética do Olhar em Tanussi Cardoso: Um Exercício do Corpo Inteiro”, inserido no livro “Os Poetas Estão Vivos – Pensamento poético e poesia brasileira no século XXI”, vencedor do “Prêmio Literário Cidade de Manaus”, ed. Muiraquitã/Manaus-Am.


* A Medida do Deserto e Outros Poemas Revisitados. Rio de Janeiro: Ed. Íbis Libris, 2003, inserido na coletânea de poemas “Rios”, junto com os poetas Elaine Pauvolid, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya e Thereza Christina Rocque da Motta. Prefácio de Thereza Christina Rocque da Motta.


* Viagem em Torno de. Rio de Janeiro: Ed. 7Letras. 1ª edição: 2000; 2ª edição: 2001. Prefácio de Salgado Maranhão, foto de Dayse Marques. Prêmio ALAP de Cultura 2000, outorgado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro e pela Academia de Letras e Artes de Paranapuã (ALAP). Prêmio Capital Nacional 2000 – Poeta do Ano, organização do jornal O Capital, Aracaju/SE. Menção Honrosa no Concurso Nacional Ruth Scott 1993, do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro (SEERJ). Menção Honrosa no Concurso Prêmio Jorge de Lima, da UBE/RJ/1993. Menção Honrosa do Prêmio Carlos Drummond de Andrade, organização da UBE/RJ/1999.


* Beco com Saídas. São Paulo: Ed. Edicom, 1991. Prefácio de Socorro Trindad, 4ª capa de Cadu Fernandes, capa e ilustrações de Alberto Harrigan, foto de Dayse Marques. Menção Honrosa do Prêmio Guararapes de Poesia, da UBE, Prefeitura Municipal de Jaboatão/PE/1986. Menção Especial no Prêmio Jorge de Lima, da UBE/RJ/1990. 3º lugar no II Concurso Nacional do livro de Poesia/1994, organização do Jornal Correio de Poesia, editado por Luiz Fernandes da Silva.


* Boca Maldita. Rio de Janeiro: Ed. Trote, 1982. Prefácio de Leila Miccolis, capa e ilustrações de Otavio Studart, foto de Ana Carolina. Menção Honrosa no III Concurso Escrita de Literatura, organização da Revista Escrita/SP/1980.


* Desintegração. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1979.

TANUSSI CARDOSO POR HENRIQUE MARQUES-SAMYN


CONTESTAÇÃO CONSCIENTE





As referências à poesia brasileira produzida ao longo da década de 1970 tendem a evocar imediatamente os nomes relacionados à chamada "poesia marginal" – embora o pressuposto de que a todos os autores que produziram durante aquela época possa ser aplicado esse rótulo seja equivocado, sendo prova recente disso o volume referente aos Anos 70 da antologia Roteiro da poesia brasileira, organizado por Afonso Henriques Neto. Não obstante, se aquela "marginália" legou para a poesia brasileira um conjunto de importantes elementos, teve por outro lado ecos negativos que se prolongam até os dias atuais. Esses prós e os contras foram proveitosamente sintetizados por José Paulo Paes, de cuja análise destacamos, de um lado, a contestação dos valores estabelecidos a partir de uma opção existencial e o questionamento do bom gosto das elites lítero-sociais; e, de outro lado, a desorientação, a desinformação e o descompromisso com diretrizes estéticas que, na maior parte das vezes, resultou numa produção circunstancial e efêmera.A estreia literária de Tanussi Cardoso ocorre apenas no fim da década de 1970: Desintegração data de 1979, o que em primeira análise nos permite postular que sua obra não representa fielmente o ideário predominante na "marginália". De fato isso ocorre, mas não porque seja o poeta um epígono, ou porque meramente espelhe a estética predominante naquela época; uma leitura do volume dedicado à sua obra na valiosa série 50 poemas escolhidos pelo autor (Galo Branco, 2008) demonstra que, se Tanussi Cardoso é o autor de uma poesia que contesta os lugares-comuns e desconstrói o discurso literário essencialmente a partir de uma postura existencial, cumpre essa tarefa por intermédio de uma poesia que nada tem de gratuita. Sob uma dicção aparentemente fácil e despojada, Tanussi Cardoso ergue uma poesia densa, que resgata e atualiza alguns temas perenes da história da literatura.As duas últimas partes do livro, por exemplo, reúnem poemas que tratam precisamente de dois desses motivos universais. Em "Do amor", encontramos o belíssimo "Fado", que merece ser transcrito na íntegra:

Agora, podes ficar onde a tormenta não mais te alcança.

Onde Deus não mais te eleve.

Onde o mar não mais te salgue.

Onde o azul não te aborreça.

É assim o amor – vela por nada.

Cuida por nada.

E quando pensas que és,

teu sangue estanca.

Já em "Das mortes" lemos o excelente "O morto", que tem esta última estrofe:

Tudo permanece em seu lugar.

(...)

O morto é um poema

acabado

solto

completo.

Vê-se, portanto, que Tanussi Cardoso é um poeta que habilmente maneja os recursos formais, jamais mobilizados em favor de artificialismos; em sua poesia, tudo está a serviço de uma expressividade absoluta. Para além disso, atravessa a sua obra um lirismo que nasce das vivências cotidianas, cabendo pôr em relevo uma característica particular: se Tanussi Cardoso se alinha aos poetas que buscam dilatar as fronteiras do poético, nele incluindo também as (supostas) trivialidades do dia-a-dia, importa observar que dificilmente seu lirismo se limita à superfície, havendo uma pungência que a ultrapassa em direção àquela angústia metafísica que sempre assola o humano, decorrente da certeza da finitude e da incerteza da existência. Exemplo disso é um poema como "Oráculo" – raro pela construção precisa, pela força lírica e pela eficácia das imagens –, do qual transcrevemos o trecho final:

mas não quero falar disso agora.

tantas idas e vindas.dor no coração fodido.

vôo e nem acredito.

vôo e nem domingo.

sábado e nem comigo.

vôo e nem futuro.

só preciso disso:

a paz inalcançável do gesto da mão no ar no vento

como um corte lento e gosmento.

silencioso.brutalmente silencioso.

como um poema. límpido como um santo caído das nuvens.

como um poema. gênesis.

como um poema. estupidamente triste.

como um poema. sutil e inacabado.

como um poema. belo e qualquer.

mas não quero falar disso agora.

As anteriormente mencionadas observações de José Paulo Paes acerca da poesia produzida nos anos 70 dizem respeito a problemas que encontramos ainda em poetas atuais, relacionadas à carência cultural e a deficiências na formação literária que conduzem a tentativas de enfrentamento que, por sua ingenuidade e ineficácia, denunciam a inconsequência dos que tentam empreendê-las. Melhor fariam esses autores se seguissem o exemplo de Tanussi Cardoso, contestador consciente, cuja competência no fazer literário é inegável.


Crítica sobre o livro 50 poemas escolhidos pelo autor, da Ed. Galo Branco, publicada no blog
http://marques-samyn.blogspot.com/

Henrique Marques-Samyn nasceu e cresceu nos subúrbios cariocas. É escritor, tradutor e pesquisador acadêmico, autor de Poemário do desterro, Esparsa erótica e de diversos artigos acadêmicos. Articulista do Jornal do Brasil e da revista Speculum, tem textos publicados no México, na Venezuela e na Espanha. É doutor em Literatura Comparada (UERJ), mestre em Psicologia Social e em Filosofia.
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Postado por Literatura sem fronteiras – niltomaciel@uol.com.br às 7:21 AM 1 comentários:
Anonymous said...
Na minha humilde opinião, Tanussi é um dos nossos melhores poetas . Ele consegue, como poucos, dizer em síntese, verdadeiras imensidões poéticas.Tanussi arrepia, nos faz vibrar...
Salve Tanussi!!!!!Salve a Poesia!
Bel

7:46 AM
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EDUARDO TORNAGHI RECITA TANUSSI CARDOSO

TANUSSI CARDOSO POR CARMEN MORENO, EM PALESTRA NO PEN CLUBE




MESA COM TANUSSI, CARMEN e o poeta CLÁUDIO MURILO LEAL, Presidente do Pen Clube

FRAGMENTOS DO HUMANO E DO MÍSTICO EM TANUSSI CARDOSO

"Para Tanussi Cardoso



Meu irmão,
caminho de todas as portas.
Sua boca de poeta sempre desenterra o Sol."

Escrevi o texto abaixo colocando-me como personagem. Utilizei, portanto, a terceira pessoa para referir-me não só ao homenageado e irmão Tanussi Cardoso, mas para reportar-me a mim mesma.

CENA UM:

Abre-se o pano ante a folha virtual - em branco. Diante do computador, a poeta observa-se. O coração, tambores dissonantes, prensa sentimentos inomináveis, que esperneiam no peito, esgarçando-o. A poeta prossegue, tentando domá-los em verbo. Fervilham, em múltiplas vias, arredios, na contramão de qualquer nome que os aprisione ou liberte. Que os falseie ou denuncie. O poema não salva a poeta. O irmão não salva a irmã. Avessos a cederem a qualquer começo de texto, sabem, os sentimentos, que não há começo algum. Nem fim - não se pode dimensionar o invisível. Que cerca margeará o impossível, demarcará o infinito, o indizível? Pois que o poeta está plantado desde sempre, desde antes, no quintal da alma da irmã. Fertiliza sua terra com seus enigmas de artista, com seu olhar enviesado de bruxo do verso.

Desde a infância da poeta, quando esta, menina de sete/oito anos, mesmo sem decifrar sequer a pele dos seus versos, já os sabia ritmo e beleza. Já os temia, gilete e magia. E recitava-os, na escola, com orgulho e sede. A sede de quem aprende a beber no líquido claro ou lodoso da palavra, a saída. E a menina, desde o começo, sem saber, já precisava iluminar suas saídas. A saída que nunca acaba. A saída que nem sempre se decifra claridade. A saída que o poeta lhe apresentava, através de seus temas emblemáticos, recorrentes, mas sob um olhar mutante e viçoso – sempre.
Então, a menina aprendia a conhecer a morte, antes de perder seus queridos. E a morte era sonora e lírica, no poema Conversa aos pés de um morto, inserido no primeiro livro do poeta (único exemplar), encadernado, na cor vermelha, que ela compartilhava com os colegas, ao final da aula. Poema publicado muitos anos depois, no livro Viagem em torno de, ora representado neste trecho: “Pronto, estás aí, podre./ A morte te pegou tão de supetão, sujeito,/ que nem tiveste tempo de vomitar/ o último arroto sobre o teu terno sujo. (...).
E a menina tocava o amor, antes de sabê-lo amor - e mesmo quando o amor vestia-se sombra, era musical e harmônico, conforme o trecho do poema Balada dos Perdidos, inserido no referido livro: “(...) Vir de longe/ Quem nunca amou e se deu/ Quem por amor se perdeu/ Quem nada teve de seu (...). E tantos poetas somaram-se ao primeiro! Todos levados pelo irmão, ora em diversificados livros, ora através dos versos deste poeta inaugural, seu aliciador de releituras do mundo.

Os versos do poeta irmão, impregnados de outros, e tantos, e TUDO, em sentimento e forma transmutados, mostram, cada vez mais, a habilidade de quem sabe ler, ler-se, reescrever, reescrever-se, digerir minúcias do humano para materializá-lo no gesto singular e sempre assombrado de seu poema.
CENA DOIS:

A poeta folheia, mais uma vez, os livros do irmão, buscando iniciar este texto, ora compartilhado, mesmo sabendo que não há começo, pois que o tempo de Tanussi funde-se ao seu próprio tempo, de maneira contínua e indivisível. Onde a distância crítica de olhar sua obra e abordá-la? E descobre que esta tarefa será como tentar vislumbrar a Muralha da China, cabeça erguida, corpo e queixo colados ao concreto... o olhar íngreme buscando a impossível panorâmica. E entende que só a visão para dentro de sua própria história poderá trazer à tona, ao menos alguns precários fragmentos de Tanussi Cardoso e sua produção literária.
Aliviada, percebe que, talvez, não seja impossível desvelar algumas peças da complexa e bela engrenagem de sua escritura, pois que a obra de Tanussi é Tanussi. Como prenuncia o poema A grande valsa - parte III: “Para isso serve a arte:/ testemunhar o não visto/ descobrir o oculto/ observar através dos rins/ dos fígados/ das crateras e dos vulcões.” (livro Viagem em torno de).

A obra de Tanussi é Tanussi. Contrária à esquizofrênica criação de tantos autores, que não são sua criação. Não agem, não pensam, não creem, não sentem, não cheiram, não olham, não tocam, não vivem como rezam sua prosa ou seu verso. E não há neste fato nada que desmereça ou minimize o valor dessas artes sem genitores orgânicos (quando elas são realmente Arte, no sentido inalcançável do termo). Inalcançável enquanto definição, pois que a arte não sobrevive entre as paredes do conceito. No entanto, é perfeitamente tangível pelos sentidos e pela transcendência. E pode fazer sentido para qualquer um, pela revolução interior que provoque, pela desarrumação de algo invisível dentro de nós. E há tantas obras, em qualquer gênero artístico, tão dissonantes de seus criadores - embora de teor e estética generosos! Não se pode desmerecer o produto artístico pela revelação deste possível paradoxo.
Contudo, a poeta precisa confessar sua estranheza e espanto ao se deparar, algumas vezes, com este fenômeno humano. Então, com alívio e encantamento, reencontra Tanussi, no cotidiano e nas páginas, e comprova ser possível a comunhão entre os movimentos de Ser e criar. Em Nudez, livro Boca Maldita, ele nos diz: “Que importam as coisas/ e os seres/ a não ser no momento infinito/ e raro/ em que elas/ sem caricaturas/ despem-se de todo o artifício/ e frias/ e loucas/ são elas mesmas/ nuas?"
CENA TRÊS:

Os dedos da poeta tamborilam no teclado. O papel virtual e branco, em ultimato, quer o ato do início, a sílaba que puxe o fio de Ariadne, o salto, a palavra que socorra a poeta do espanto de saber o poeta tanto, que se torna dor a ação de traduzi-lo letra. Mas, no incansável revisitar de suas obras sobre a mesa: ouro, pérolas, concreto, pedras pontiagudas, depara-se com a salvadora epígrafe do premiado livro Viagem em torno de. “O que me interessa no homem é o homem. O resto é o que fizeram dele: literatura. E pronto”. Este e mais quatro pequenos textos, utilizados no livro sem assinaturas, como dedicatória e epígrafes, foram recebidos em sonho pelo poeta, conforme registro do mesmo, ao final da obra, p.79.

A poeta encontra, enfim, o caminho das palavras e o teclado recupera sua função. Pergunta-se: Quem teria tamanho conhecimento do que impulsiona a criação de Tanussi Cardoso? Quem saberia tão intimamente que sua obra é uma busca contínua e visceral do homem? Do humano? Quem saberia que, para ele, o exercício poético só faz sentido pela possibilidade de dissecar esse homem e transformá-lo em verbo? Na densa geração do poema - a transformação de si mesmo: síntese, signo, salto. E, na posterior partilha, a possibilidade de dar nova feição também ao Outro, pelo potente gesto da palavra. Transformar esse homem/leitor, pela exposição figurada do humano no poeta. Farta e ousada oferta de si mesmo. Em entrevista ao site Balacobaco, Tanussi reitera esta leitura: “O que eu quero com minha poesia é criar uma ponte em direção ao outro; fazer dela um grande abraço humanitário e solidário”.

E o exercício de descascar-se em metáforas, bem garimpadas, ao contrário de desfigurarem ou ocultarem o poeta, entrega sua humanidade ao leitor, numa comunhão de luz e lama, na revelação de seus mergulhos internos, suas crateras e lacunas, como nos mostram os poemas: Ponte, livro Viagem em torno de: “Entre eu e mim, um abismo imenso”; Casa, livro Exercício do olhar: "em mim, / muitos quartos. / quando morrer,/ quantos terei visitado?" E Sinal, do livro Boca Maldita: "Escorreguei em mim mesmo/ e caí./ Sou um acidente..." Poema que revela outro traço de seu perfil literário: a ironia amarga. Lâmina crítica, que não se exime de destrinchar a natureza do poeta, e o que nela há de risível.
CENA QUATRO:
A poeta levanta-se, e procura, entre os livros espalhados sobre a mesa, o que registra o sonho: “O que me interessa no homem é o homem”. O resto é o que fizeram dele: literatura. E pronto”. E insiste: Quem, afinal, conheceria esta meta involuntária (?) da poesia tanussiana? Se a poeta materializasse em voz esta íntima pergunta, alguém certamente lhe indagaria, como resposta: “Mas não seria o homem o objeto de interesse central da obra de todo artista? E ela responderia: “Não sei” – dando de ombros à ironia de seu interlocutor, que estaria respaldada na suposta obviedade da pergunta.

Mas, afinal, quem seria o autor dos versos do sonho? Deus? E quem se revela Deus/deuses na criação de Tanussi? Deus, figura constante em sua obra, não se deixa aprisionar por acepções religiosas: “(...) Os deuses que adoro me cospem no prato". Diz o escritor, no poema Aos que morrem de Aids, do já mencionado livro Viagem em torno de. O Deus de Tanussi é céu e inferno, chão e salto, lodo e luz. Humano, salvador, culpado, falho, conforme se apresenta no trecho do poema Paisagem inútil, livro Exercício do olhar: “(...) errar não é humano – é santo/ pecar é carregar nos ombros/ os erros de Deus."

Sim, talvez o Deus de Tanussi tenha trazido do Alto os versos de seu sonho. O Deus transcendente, o místico. Ou quem sabe o Deus que mora no poeta; ou mesmo o poeta que mora nesse Deus: “o poeta é só/ um homem/ dentro/ de Deus”. Livro Viagem em torno de; Chorando sobre um poema. A verdade é que, por intermédio do sonho, o poeta reitera, ou revela a si mesmo, o alvo de sua criação. Seu inconsciente individual/coletivo endossa, em síntese profética, o que sua magnífica trajetória de criador nos tem apresentado. E o que sua vida ressalta, a cada dia, aos privilegiados de sua convivência: Tanussi gosta de gente! Procura, dentro e fora de si mesmo, as pessoas, seus movimentos, contextos e interferências. Paradoxos, inquietações e calmarias. Danos, dejetos, dádivas. Acolhe as pessoas. E injeta, então, no verso, sem encharcá-lo de lirismo, o produto de seu automergulho visceral. Mergulho que traz à margem sua própria face, contaminada e revigorada pela face de seus semelhantes.
E ao visitar o Ser com intimidade e mestria, revelando-o através de seu poema cortante e lírico, conciso, seco e apaixonado, de imagens originais e contundentes, o poeta se expande em TUDO - pois que todos os desdobramentos temáticos partem desse humano que pensa, respira, ama, age, interage, sofre, sorri, deseja, teme, mata, morre... E o olhar de Tanussi Cardoso perpassa todas estas estações do Ser, aprofundando-as, com lucidez.
EPÍLOGO:

A irmã, olhos pregados na tela, dedos ágeis no teclado, prossegue na sua tarefa de decifrar-se, buscando o irmão. Sabe que tudo, para Tanussi, é matéria poética: o Tempo, o Fazer poético, a Memória... No entanto, diante da impossibilidade de expansão deste relato, elege, para conclusão de ilustração temática, recortes do olhar do irmão sobre a família, a morte e o amor: Na Família - pai, mãe, irmãos... na família e seu gene de amor e loucura, de colo e mágoa, talvez a fertilização infinda de seu verso e do verso do irmão. Talvez a fonte inesgotável do humano no magma artístico de ambos. No poema Retoque no retrato, livro Exercício do olhar, Tanussi Cardoso nos traz o pai: “Meu pai/ cabisbaixo/ pescoço metido/ entre as pernas/ de queixas/ e queixos/ quadro/ vivo de Rodin/ meu pai/ entre meias/ e chinelos/ fincando raízes/ no nada/ teatro particular/ de cerca e medo/ olhos no assoalho/ moído/ olhos que não/ viram nem a/ mim nem a/ mãe nem a/ mão/ olhos soterrados/ cravejados/ de chão”
E no primeiro verso do poema Flecha, do mesmo livro, Tanussi nos diz: “minha mãe lê o mundo/ pelo sorriso (...)”. No verso conclusivo, do antológico poema As mortes, livro Viagem em torno de, “sei não/ acho que só vou/ morrer/ depois de mim”, Tanussi Cardoso revela-nos que sua visão sobre a morte nada tem de pessimista. Em entrevista concedida à escritora Cristina da Costa Pereira, ele nos diz: (...) "O que procuro retratar no poema é o paradoxo existente na máxima de que a morte traz a vida para mais perto. Porque ao pensar nela começo a pensar em Deus e nos homens e na verdadeira poesia, que é viver em comunhão, re-ligado com a natureza. Com a morte, me parece, o homem passa a olhar mais para o seu próprio tempo, para o outro, e acreditar na sua imortalidade.”

No poema O morto, livros Viagem em torno de, e 50 poemas escolhidos pelo autor, Tanussi projeta sobre o tema um olhar de aceitação. Mais que isso - de beleza e libertação: “Tudo permanece em seu lugar./ A tartaruga/ estática, sábia/ contempla a cena./ Quem morre antes,/ o morto ou seus objetos?/ Tudo permanece em seu lugar./ O morto é um poema/ acabado/ solto/ completo.”

E o amor tanussiano quase sempre é desmascarado na sua concreta finitude, e na incontrolável, mas nem sempre visível, esperança. Apresenta-se aqui, nos recortes do poema Das dores do amor, livro A medida do deserto, in Rios, partes IV e V: “Todo amor, no fundo,/é um adeus/ um basta/ um morto./ Contudo, te amo/ como se costurasse rendas num bordado/ vendo os furos se despregando do pano/ alfinetes rasgando a pele/ sem ritos sem ais sem porvir.” E no trecho do poema Cilada, livro Viagem em torno de, Tanussi conclui, realista: “O amor é, sobretudo/ a faca no laço do laçador/ O amor é, exatamente/ o tiro no peito do matador”

Para o desfecho desta exposição, o último verso do poema Botafogo, noite, livro Viagem em torno de: “Deve haver poesia no dedo de Deus.”. E a irmã, na releitura do poema, conclui: Deve haver um Deus no dedo de Tanussi.

Carmen Moreno – poeta e ficcionista

TANUSSI CARDOSO EM ENTREVISTA PARA A RÁDIO UNESP

O jornalista Oscar D'Ambrosio me entrevistou para a Radio Unesp (Universidade Estadual Paulista), e para quem tiver interessado em ouvir e saber um pouco mais de mim, segue a direção:



http://aci.reitoria.unesp.br/radio/perfil_literario



Oscar D'Ambrosio vem fazendo um trabalho excepcional de mapeamento de poetas brasileiros por todo o Brasil. A quem se interessar, meu nº para escuta é o 722.



Aguardo vocês por lá, além de seus comentários.

Abração a todos.

Tanussi

TANUSSI CARDOSO INTERPRETADO POR EDUARDO TORNAGHI

Em seu blog, http://papopoetico.blogspot.com/, Eduardo Tornaghi recita e fala sobre a poesia de Tanussi Cardoso de forma brilhante.

O programa é o de nº 45.

Quem quiser ver/ouvir é só acessar a página acima.

O autor agradece.

Abração a todos.

"AS MORTES", de Tanussi Cardoso

AS MORTES

quando o primeiro amor
morreu
eu disse: morri
quando meu pai se foi
coração descontrolado
eu disse: morri
quando as irmãs mortas
a tia morta
eu disse: morri

depois, a avó do Norte
os amigos da sorte
os primos perdidos
o pequinês, o siamês
morri, morri
estou vivo
a poesia pulsa
a natureza explode
o amor me beija na boca
um Deus insiste que sim
sei não
acho que só vou
morrer
depois de mim
(do livro Viagem em torno de, Ed. SetteLetras, 2000)

POEMA "AS MORTES", COM TANUSSI CARDOSO

O poema "As Mortes", de minha autoria, foi gravado no evento POESIA NO SESI, organização de Claufe Rodrigues e Monica Montone, por DANIEL TRINDADE. Assistam no link abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=xVIvBn0DdmU

AMOR E AMIZADE: DOIS LADOS, por SANDRA BERNARDO

É mesmo lamentável a quantidade de vezes que nos enganamos.
Pode-se conviver um tempo com uma pessoa, achar que já sabe mais ou menos o que se pode esperar dela e a pessoa vem e nos surpreende!
Às vezes nos surpreendemos de uma forma tão absurdamente incompreensível, que a chateação passa a ser pessoal, e vem logo a frase:
"Como eu não vi que (ela ou ele) poderia fazer isso comigo? Como me fiz cega? Por quê? Qual o momento da relação que eu passei a confiar tanto no outro, que me desrespeitei terrivelmente?"

A briga agora é interna, a pessoa que criou o caos, já não tem a menor importância, a máscara caiu! Já se mostrou! Às vezes interesseira, desonesta, perversa, irônica, egoísta, articuladora, traidora, ingrata... e até mesmo imatura!
Enfim a pessoa surpreende por tantas atribuições que fica difícil tentar entender! É melhor se ocupar com as questões internas, das permissões, da falta de auto-estima, da falta de amor próprio!
Não vou ficar aqui apontando as mazelas que alimentam (infelizmente) as nossas realidades.
Existe como tudo na vida o outro lado.
O lado bom e gostoso daquelas pessoas que nos surpreendem com um chocolate, naquele momento que se precisa adoçar o dia!
Aquele amigo do peito que te dá uma viagem, um instrumento, um toque bom numa conversa corriqueira. Um e-mail de reconhecimento e carinho de alguém da família, até mesmo um elogio que te põe pra cima, de uma pessoa que te vê pela primeira vez.
Aquele amor que vive com você e ao chegar em casa, com a elegância de um primeiro encontro, convida para um cineminha. Ou num momento romântico oferece uma música pra marcar aquele momento especial. E até mesmo aquele que se dispõe a não beber pra dirigir o carro.
Temos essas duas formas de marcar a vida das pessoas (afeto/desafeto). Podemos entrar na vida de alguém e ao sair (que é conseqüência natural da vida) fica aquela lembrança boa e cheia de saudade. Como também se pode deixar o veneno da tristeza e da covardia.
Basta escolher!
Sandra Bernardo, cantora, compositora e filósofa

A (PLURAL) POESIA DOS ANOS 70, por HENRIQUE MARQUES-SAMYN

A (plural) poesia dos anos 70
Published: 8 de fevereiro de 2010Posted in: Literatura, Não percaTags: Afonso Henriques Neto, livro, Poesia, Resenha, Roteiro da poesia brasileira
Por Henrique Marques-Samyn
Maior antologia poética já publicada em terras brasileiras, o Roteiro da Poesia Brasileira tem volumes organizados segundo um critério que, se privilegia parâmetros cronológicos sobre literários – visto que, a partir do Modernismo, os livros reúnem poetas que publicaram suas obras de estreia nas décadas a que se referem os volumes -, encontra assim uma louvável solução para não priorizar determinadas tendências poéticas em detrimento de outras, o que é especialmente relevante numa etapa histórica em que a pluralidade de propostas passa a predominar sobre as convergências estilísticas outrora preponderantes.

O volume Anos 70, com seleção e prefácio de Afonso Henriques Neto, é um dos casos em que essa opção revela-se particularmente acertada. O prefaciador acuradamente concede o título “Poesia em tempos de resistência” ao seu texto introdutório; assim, fornece de antemão ao leitor informações sobre o momento histórico e cultural em que se inscreviam aqueles poetas sem, no entanto, sugerir que em decorrência disso toda a poesia composta naquela época tenha sido uma “poesia de resistência” – nem que essa característica mantenha-se constante na obra de autores que porventura a tenham explorado. Observa-o Afonso Henriques Neto quando afirma que “poetas distantes do ‘espírito’ da década estão presentes em razão de terem publicado seu primeiro livro naquela época”, citando como exemplo Dora Ferreira da Silva.
Constando do livro obras de quarenta e seis poetas, torna-se impraticável comentar detalhadamente todos os nomes antologiados. Há a dicção austera de Miguel Jorge; a rigorosa contundência de Anderson Braga Horta; as pungentes imagens poéticas de Cláudio Mello e Souza; os vigorosos e bem urdidos versos de Astrid Cabral; a rara sensibilidade de Maria da Paz Ribeiro Dantas. Ruy Espinheira Filho, poeta de lirismo singular, também está entre os selecionados – como estão Aricy Curvello, autor de uma poesia densa e reflexiva; Terêza Tenório, cujo pleno domínio formal manifesta-se em versos de rica sonoridade; e Lucila Nogueira, cultora de uma poética de excessos e transbordamentos.
Também presentes no livro estão Pedro Paulo de Sena Madureira, autor de notáveis pendor à síntese e rigor léxico; Antonio Carlos Secchin, o camaleônico poeta das releituras; Floriano Martins, poeta de texto erudito que com singular audácia dá largas rédeas à força imaginativa; Rita Moutinho, que se destaca na contemporaneidade como talentosa sonetista; e Denise Emmer, com seu texto tenso e fluido. Autoras festejadas nos círculos literários contemporâneos, como Adélia Prado e Ana Cristina Cesar (que estreou em livro em 1979), tiveram sua obra selecionada. Outras mulheres presentes na antologia são a prolífica Olga Savary; Suzana Vargas, visceral cultora da memória; Elizabeth Hazin, que com seu estro explora e articula afetos; Elisabeth Veiga, autora de dicção franca intimista; e Angela Melim, com sua poesia despojada de artificialismos.
Ao lado de representantes de tendências mais experimentais, como Ronaldo Werneck e Moacy Cirne, encontramos aqueles afeitos a um coloquialismo que tangencia o humor: Chacal, Paulo Leminski, Claufe Rodrigues; e autores ligados ao grupo Nuvem Cigana: Bernardo Vilhena, Ronaldo Santos, Charles. À verborragia de Waly Salomão contrapõe-se a dicção sintética e precisa de Tanussi Cardoso; a virulência de Adão Ventura contrasta com o tom reflexivo de Duda Machado; a poesia cool de Antonio Barreto aparta-se dos versos fortes, quase agressivos, de Alex Polari. Estão ainda no livro João Carlos Teixeira Gomes, poeta de grande senso formal; Eudoro Augusto, autor de versos incisivos, por vezes contundentes; e Régis Bonvicino, com sua poesia de visualidades líricas — que pode ser lida em cotejo com a de Júlio Castañon Rodrigues, embora seja preciso ressaltar suas particularidades: o que no primeiro é construção e consistência, no último é dissolução impressionística.
Finalmente, mencionem-se a presença de Reynaldo Valinho Alvarez, autor dos mais premiados; Geraldo Carneiro, refinado analista do cotidiano; Carlos Lima, poeta de êxtases; Marcio Tavares d’Amaral, com sua poesia contemplativa e temperada; e Alcides Buss, que com especial enlevo faz do tempo sua matéria lírica. Last but not least, com justiça inclui-se na antologia o antologiador, Afonso Henriques Neto, autor de uma obra densa e plural acerca da experiência contemporânea.
Crítica sobre o livro Roteiro da Poesia Brasileira, anos 70, organizado por Afonso Henriques Neto,
por HENRIQUE MARQUES-SAMYN, in REVISTA SPECULUM

Henrique Marques-Samyn nasceu e cresceu nos subúrbios cariocas. É escritor, tradutor e pesquisador acadêmico, autor de Poemário do desterro, Esparsa erótica e de diversos artigos acadêmicos. Articulista do Jornal do Brasil e da revista Speculum, tem textos publicados no México, na Venezuela e na Espanha. É doutor em Literatura Comparada (UERJ), mestre em Psicologia Social e em Filosofia.

CONTESTAÇÃO CONSCIENTE, por HENRIQUE MARQUES-SAMYN

25.7.10

Contestação consciente

As referências à poesia brasileira produzida ao longo da década de 1970 tendem a evocar imediatamente os nomes relacionados à chamada "poesia marginal" -- embora o pressuposto de que a todos os autores que produziram durante aquela época possa ser aplicado esse rótulo seja equivocado, sendo prova recente disso o volume referente aos Anos 70 da antologia Roteiro da poesia brasileira, organizado por Afonso Henriques Neto. Não obstante, se aquela "marginália" legou para a poesia brasileira um conjunto de importantes elementos, teve por outro lado ecos negativos que se prolongam até os dias atuais. Esses prós e os contras foram proveitosamente sintetizados por José Paulo Paes, de cuja análise destacamos, de um lado, a contestação dos valores estabelecidos a partir de uma opção existencial e o questionamento do bom gosto das elites lítero-sociais; e, de outro lado, a desorientação, a desinformação e o descompromisso com diretrizes estéticas que, na maior parte das vezes, resultou numa produção circunstancial e efêmera.A estreia literária de Tanussi Cardoso ocorre apenas no fim da década de 1970: Desintegração data de 1979, o que em primeira análise nos permite postular que sua obra não representa fielmente o ideário predominante na "marginália". De fato isso ocorre, mas não porque seja o poeta um epígono, ou porque meramente espelhe a estética predominante naquela época; uma leitura do volume dedicado à sua obra na valiosa série 50 poemas escolhidos pelo autor (Galo Branco, 2008) demonstra que, se Tanussi Cardoso é o autor de uma poesia que contesta os lugares-comuns e desconstrói o discurso literário essencialmente a partir de uma postura existencial, cumpre essa tarefa por intermédio de uma poesia que nada tem de gratuita. Sob uma dicção aparentemente fácil e despojada, Tanussi Cardoso ergue uma poesia densa, que resgata e atualiza alguns temas perenes da história da literatura.As duas últimas partes do livro, por exemplo, reúnem poemas que tratam precisamente de dois desses motivos universais. Em "Do amor", encontramos o belíssimo "Fado", que merece ser transcrito na íntegra:

Agora, podes ficar onde a tormenta não mais te alcança.
Onde Deus não mais te eleve.
Onde o mar não mais te salgue.
Onde o azul não te aborreça.
É assim o amor - vela por nada.
Cuida por nada.
E quando pensas que és,
teu sangue estanca.
Já em "Das mortes" lemos o excelente "O morto", que tem esta última estrofe:
Tudo permanece em seu lugar.
(...)
O morto é um poema
acabado
solto
completo.
Vê-se, portanto, que Tanussi Cardoso é um poeta que habilmente maneja os recursos formais, jamais mobilizados em favor de artificialismos; em sua poesia, tudo está a serviço de uma expressividade absoluta. Para além disso, atravessa a sua obra um lirismo que nasce das vivências cotidianas, cabendo pôr em relevo uma característica particular: se Tanussi Cardoso se alinha aos poetas que buscam dilatar as fronteiras do poético, nele incluindo também as (supostas) trivialidades do dia-a-dia, importa observar que dificilmente seu lirismo se limita à superfície, havendo uma pungência que a ultrapassa em direção àquela angústia metafísica que sempre assola o humano, decorrente da certeza da finitude e da incerteza da existência. Exemplo disso é um poema como "Oráculo" -- raro pela construção precisa, pela força lírica e pela eficácia das imagens --, do qual transcrevemos o trecho final:
mas não quero falar disso agora.
tantas idas e vindas.dor no coração fodido.
vôo e nem acredito.
vôo e nem domingo.
sábado e nem comigo.
vôo e nem futuro.
só preciso disso:
a paz inalcançável do gesto da mão no ar no vento
como um corte lento e gosmento.
silencioso.brutalmente silencioso.
como um poema. límpido como um santo caído das nuvens.
como um poema. gênesis.
como um poema. estupidamente triste.
como um poema. sutil e inacabado.
como um poema. belo e qualquer.
mas não quero falar disso agora.
As anteriormente mencionadas observações de José Paulo Paes acerca da poesia produzida nos anos 70 dizem respeito a problemas que encontramos ainda em poetas atuais, relacionadas à carência cultural e a deficiências na formação literária que conduzem a tentativas de enfrentamento que, por sua ingenuidade e ineficácia, denunciam a inconsequência dos que tentam empreendê-las. Melhor fariam esses autores se seguissem o exemplo de Tanussi Cardoso, contestador consciente, cuja competência no fazer literário é inegável.
Crítica sobre o livro 50 poemas escolhidos pelo autor, da Ed. Galo Branco, publicada no blog
Henrique Marques-Samyn nasceu e cresceu nos subúrbios cariocas. É escritor, tradutor e pesquisador acadêmico, autor de Poemário do desterro, Esparsa erótica e de diversos artigos acadêmicos. Articulista do Jornal do Brasil e da revista Speculum, tem textos publicados no México, na Venezuela e na Espanha. É doutor em Literatura Comparada (UERJ), mestre em Psicologia Social e em Filosofia.

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