sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

RONALDO WERNECK NO CORREIO DAS ARTES

Um dos grandes poetas brasileiros, RONALDO WERNECK, ofereceu um belíssimo depoimento sobre sua carreira e visão poética, a outro grande escritor, SÉRGIO DE CASTRO PINTO. O texto completo saiu publicado no CORREIO DAS ARTES, Suplemento do jornal A UNIÃO, de setembro de 2011, nº 7, João Pessoa/PB. A certa altura de sua fala, RONALDO WERNECK cita o meu poema "DA POESIA", ao lado de poemas de BLAKE e CASIANO RICARDO, o que me encheu de orgulho.

Obviamente, no FB, o texto não se encontra muito legível. De qualquer maneira, tentei, em homenagem ao poeta, divulgar um pouco de sua fala (e de sua foto)e, ao final, reproduzo a parte em que fui mencionado, adicionando a íntegra do poema.

RONALDO WERNECK não é só um dos grandes nomes da cultura nacional, mas, um ser humano de primeira grandeza. Agradeço a sua amizade.
































































"Octavio Paz, de novo:"A prosa é a linha - reta sinuosa, espiralada, ziguezagueante, mas sempre para diante e com uma meta precisa. O poema, o círculo - algo que se fecha sobre si mesmo, universo auto-suficiente e no qual o fim é também um princípio que volta, se repete e se recria. E esta constante repetição e recriação não é senão o ritmo, maré que vai e que vem, que cai e se levanta". Valéry disse que a prosa é marcha; o poema, dança:"A poesia se distingue da prosa por não ter todas as mesmas permissões que essa última. Sobre o que eu "quis dizer" em tal poema, respondo que não quis dizer, e sim quis fazer, e que foi a intenção de fazer que quis o que eu disse. É a execução do poema que é o poema. Fora dela, essas sequências de palavras curiosamente reunidas são fabricações inexplicáveis".

Fabricações coincidentemente inexplicáveis, a exemplo de aleatórias divagações sobre um tema qualquer, vamos dizer "tigre", como se pode ver em três poetas absolutamente distintos: Tyger, Tyger, burning bright / In the forests of the night (William Blake). A beleza do tigre/ na cidade./ Um indício, talvez,/ da poesia como coisa/ selvagem (Cassiano Ricardo). O medo do mundo/ em cima do muro/ não// o malabarista/ na corda-bamba/ não// o olho do tigre/ exato certeiro/ o olho do tigre/ sim (Tanussi Cardoso).

(Depoimento de RONALDO WERNECK a SÉRGIO DE CASTRO PINTO)



DA POESIA


o canto do pássaro

à procura do vento

não


a promessa de amor

nas faces da lua

não


o medo do mundo

em cima do muro

não


o malabarista

na corda-bamba

não


o olho do tigre

exato certeiro

preciso


o olho do tigre

sim


(in, "Exercício do Olhar", Ed. Fivestar/RJ, 2006)








segunda-feira, 2 de janeiro de 2012



POEMA PARA O ANO NOVO
Tanussi Cardoso

Acolher os pássaros.
Seu pestanejar de liberdade e beleza.
Ouvir seu piar de dor, fome e prazer.
E compreender a expressão do voo.
Pousá-los nos ombros e deixar-se com eles
nessa viagem de busca e de pouso.
Ser pássaro na sabedoria
de maravilhar-se com a vida
- ínfima e pouca –
em seus mínimos detalhes
de mistério e poesia.
Aprender
a transformar migalhas
em sementes de ninhos.
E dividi-las.
Entender a nervura
das distâncias – os obstáculos –
e quedarmos quietos
à espera do canto.
E do salto.

Janeiro de 2012

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

NOTíCIAS - Educação - JORNAL DE SERAFINA CORREA

"Eu e Outras Consequências"

O monólogo estrelado por Tanussi Cardoso, Eu e Outras Consequências, encantou quem prestigiou a atuação desse ator de renome nacional no Cine Teatro Carlos Gomes, dia 04 de Outubro de 2011. A mistura de poesia e música e a modalidade teatral pouco comum no município fez com que a plateia aplaudisse de pé a peça. Com entrada gratuita, o evento reuniu pessoas interessadas em arte e cultura, proporcionando momentos de aproximação e apreciação de um monólogo muito bem produzido.









segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A IMPRESSÃO DA REALIDADE EM "AS INSOLENTES PATAS DO CÃO", DE NILTO MACIEL, por Tanussi Cardoso


As estórias de Nilto Maciel nos pegam pelo imprevisto, pela frase cortada, fragmentada, pelo jeito de quem está narrando um fato com descontração. É um modo singular de escrever. Nilto Maciel não ilude o leitor com firulas desnecessárias, não o engana com frases de efeito. Não tem vínculo com uma certa literatura que teima em parecer pedante. Mas por trás dessa aparente simplicidade há um escritor pleno de seus objetivos, que sabe contar uma estória com desenvoltura. Engana-se quem pensar ao contrário. Nilto Maciel lima as gorduras do texto e, vigorosamente, trabalha com a palavra certa, no lugar certo e na hora certa. Como cabe aos bons escritores.

Dono, portanto, de excelente técnica narrativa, Nilto Maciel, em As Insolentes Patas do Cão (João Scortecci Editora, 1991), incorpora efeitos oníricos a elementos míticos e místicos, muitas vezes de forma surreal, liquidificando tudo em beleza, fantasia, ironia, crítica e humor. Neste livro, o escritor agrupa um conjunto de estórias, onde o absurdo de várias situações beira a irrealidade, o sonho, a loucura imaginativa. E deixa o leitor atônito a se questionar sobre a impressão de verdade/ilusão que possa existir no que lhe é narrado.

Logo no belíssimo conto que abre o livro, “Ícaro”, o autor nos brinda com uma linguagem plena de lirismo, de uma brasilidade meio esquecida, com gosto, com cheiro, com ternura. Aliás, um fato inconteste marca todo o livrou: o carinho com que o escritor trata seus personagens, mesmo os menos afortunados (ou, principalmente), mesmo os mais terríveis. Há sempre um bem-querer subentendido em suas linhas, uma defesa subliminar, como se a raiz de seus destinos lhes conferisse o direito inequívoco de serem como são, e serem amados por essa inevitabilidade. Nilto Maciel limita-se a contar; não os julga, não cria valores de juízo em relação a seus atos e atitudes. “Ícaro” é uma história prenhe de perguntas, de questionamentos, que não se permite respostas. É a chave para se entender toda a unidade temática do livro: a perpassar a grande maioria dos contos (como uma flecha que os cortasse num mesmo plano), um medo latente de que a realidade seja mais cruel do que os sonhos; um medo, talvez, de que a fantasia seja perdida.


Em “A Menina dos Olhos”, por exemplo, a realidade parece sair da imaginação. Raquel existe? Ou seria apenas a menina sonhada pelos olhos do menino? Como a querer confundir (ou fundir) tudo, num só sonho ou numa só estória, Nilto Maciel “batiza” a maioria de seus personagens com nomes bíblicos, mitológicos ou, simplesmente, muito estranhos. E tome de Raquel, João, Maria, Acteão, João Canoro, Hulda, Quésia, Arion, Frederico Ozanam, Miro Spiegel, Liana Bennato, Amapá, João Batista, Fausto, Leonardo Ratisbona, Dr. Aderaldo Ascegas, Vulpino, João Cordeiro, Homero, João Alves Mendes... E como em Nilto Maciel não há gratuidade, é claro que nessas escolhas há muita coerência, sabedoria e uma grande dose de ironia crítica.


Em “Rosa dos Ventos”, o lúdico e o sensual dos desejos humanos remetem a sonhos de outras dimensões ou realidades; à viagem imaginária da cidade grande, num jogo de contrastes onde o sexo é a arma letal. Ou vital? Onde a solidão dá o tom monocórdio da angústia.

Já em “Incubação”, a realidade é traída pelo son(h)o. Maria sonhara aquela noite? Mas a prova real está ali, palpável: o filho, o menino feio. Uma espécie de parábola do nascimento de outro menino, nascido num estaleiro, saído de uma outra Maria.

O conto “A Fala dos Cães” é um bom exemplo da temática narrativa que percorre todo o livro. Mitos, ninfas, serpentes; fantasia ou realidade? Cheio de símbolos (fálicos, por que não?), o conto segue seu destino de escamotear, dando voz aos cães e vida aos cervos. Um conto cruel, melhor lido nas entrelinhas e nos intervalos do que no seguimento linear da própria estória.

Segue o livro, com o autor a nos perguntar pela boca de seus personagens: “Isso existiu de verdade ou foi só impressão?” (grifo nosso) (“Adeus, Alzira”); “Ou não era verdade, sonhava, delirava? Talvez fosse pura impressão” (grifo nosso) (“Um Simples Boneco”); Ou ainda: “Todos corremos perigo, até quando dormimos”. (“Os Belos Olhos de Sônia”). Moto-contínuo, o sonho sempre em confronto com a realidade, num estilo seco, direto, instantâneo, moderno, como no conto intitulado — de modo explícito – “Sonhos”, um dos grandes momentos da coletânea.

Todas essas evidências estilísticas encontramos, igualmente, no ótimo “Ilusões de Gato e Rato”, ou no sensacional “Casa Mal-assombrada”, onde a dualidade realidade-sonho ressurge num conto digno dos grandes mestres. Numa narrativa tocando a técnica do realismo-fantástico, o autor expurga (nossos) fantasmas, tendo ao fundo um lirismo doce e azedo. Agudo.

Em “O Vencedor” (ótimo e muito bem narrado) e “Eucaristia” (quase um poema em prosa!) novamente a ironia, o humor. a irreverência crítica, um quê de surreal. Ferino e felino.

“Olho Mágico” causa estranheza. A solidão (angústia permanente de quase todos os personagens) (sub)levando nossos medos e latentes fantasmas. Realismo ou fantasia?

O antagonismo reaparece no excelente “A Última Festa de um Homem Só”. De novo o questionamento: o que é a realidade? aquela que de fato vivemos ou a que gostaríamos de viver? O que, afinal, são vida e morte? Tudo não estaria entrelaçado? A mesma face de uma só moeda ou de uma só consciência? Ou tudo não passará de mera “impressão?”

Mistério e suspense, num conto emblemático da temática do escritor: “Um Simples Boneco”. Nele, outro elemento simbólico (que perpassa todos os contos) surge: o espelho. Como se o corpo de seus personagens estivesse sempre presente no outro. Sombra. Espectro. Sonho. Pesadelo. Impressão ou não? Há sempre alguém olhando um outro ou alguma coisa. (O olhar é um elemento fortíssimo em Nilto Maciel.) O olho como voyeur, espião do outro e de si mesmo. Assim, acontece, igualmente, em “Os Belos Olhos de Sônia”.

É certo que alguns – poucos – contos beiram, às vezes, o piadismo, sem maiores implicações. Mas mesmo nesses há sempre algo de interesse e uma bem dosada atmosfera narrativa.

Porém, é no conto que dá título ao volume, “As Insolentes Patas do Cão”, que encontramos sintetizadas todas as preocupações, não só estilísticas, mas de conteúdo temático, que o autor nos passa. Está tudo lá: ironia, humor, sarcasmo, cinismo, absurdo, linguagem onírica, simbologias. É o próprio autor quem nos diz, através de seu personagem: “Chego a pensar que foram muitas as noites, condensadas numa só ao longo do tempo e da angústia crescente... Foi um sonho, foram muitos sonhos, misturados a lendas, histórias de trancoso, simples imaginação”.

O cão, com suas insolentes patas, simboliza a realidade querendo penetrar no muro fechado (sonhos) perpetuada nos olhos do menino. E, como quer o autor, o leitor, ao final, se perguntará “se o tempo passou, se fui eu que sonhei”. Só que aqui a realidade parece vencer o sonho.

As Insolentes Patas do Cão é um instigante e belo livro de contos que coloca o seu autor, Nilto Maciel, no rol dos grandes escritores deste país.

(Revista Literatura n.º 7, Brasília, dezembro de 1994.)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

NOTÍCIAS SOBRE O CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA DE BENTO GONÇALVES 2011


































Amigos, o Congresso Brasileiro de Poesia, que se realiza anualmente na Cidade de Bento Gonçalves/RS, terminou sob o aplauso de todos os que por lá estiveram. Além do homenageado do ano, Affonso Romano de Sant'anna, mostraram seus trabalhos por lá, artistas e escritores dos mais variados, entre eles, Marina Colasanti, Ronaldo Werneck, Marcio Borges, Colmar Duarte, Edmilson Santini, Artur Gomes, Jorge Ventura, Jiddu Saldanha, Dalmo Saraiva, o Grupo Poesia Simplesmente, Eduardo Tornaghi, Telma da Costa, entre mais de 100 poeta convidados, tudo sob a regência do poeta ADEMIR BACCA e de suas queridas orquestradoras, Cacau Gonçalves e Maria Clara Segobia.


O monólogo-poético-musical, de minha autoria, "EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS", com direção de Monica Serpa, e roteiro meu e dela, teve a honra de fechar o Congresso, obtendo imenso sucesso e muita repercussão, apresentando-se, também, a convite da Prefeitura, na Cidade vizinha de Serafina Correa.

Segue cópia do convite, e quem quiser saber notícia do Congresso, pode entrar no link abaixo:





















domingo, 24 de julho de 2011

POEMA DA MORTE ANUNCIADA

Em fevereiro de 2001, escrevi um poema dedicado a Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison, impressionado que estava com a infeliz coincidência de os três terem deixado essa vida aos 27 anos. Nunca o publiquei. Esse acaso-não-acaso do Universo nos levou Amy Winehouse, aos 27 anos, a mais talentosa artista surgida nos anos 2000. O poema, agora, também, é dedicado a ela.


JANIS & JIMI & JIM; A MORTE AOS 27
(AGORA, TAMBÉM PARA AMY)


paraíso & paixão – doce encanto da juventude

a vida exulta na garganta, sibila nas cordas, nos sons
nos cabeludos dentes de ouro
- fogo dionisíaco dos pássaros

o Senhor é Rock
- rola nas veias & no sangue & nas línguas
& nas jubas ruivas e negras das revoluções

27 & pós & fumaça
: não há rosto sob as babas e barbas
: não há elo entre a linguagem e a palavra primitiva

corta-se o cordão umbilical com Deus quando se morre aos 27
nada é brinquedo ou jardim quando se morre aos 27
o futuro não tem cidade ou país quando se morre aos 27
peixes afogados em aquários quando se morre aos 27
a alegria sucumbe às nuvens ácidas do céu
quando se morre aos 27

corpos dilacerados atravessam o tempo
e assistem ao riso solto que queima as guitarras
e venta sobre pântanos, pontes, rios, desertos

3 astros, 3 estrelas, 3 mortos aos 27
brilhando num oásis de luzes e facas

e que olhos se acenderam depois do dilúvio?

que desejos selvagens? que música? que inocência?






TANUSSI CARDOSO


fevereiro de 2001

segunda-feira, 27 de junho de 2011

RELANÇAMENTO "DEL APRENDIZAJE DEL AIRE"/ "DO APRENDIZADO DO AR" E LEITURA DO MONÓLOGO "EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS"





AMIGOS,

SEM VOCÊS, A PROGRAMAÇÃO DA TARDE

NÃO ESTARÁ COMPLETA!

No dia 02 de julho, sábado, a partir das 15h, na Estação das Letras, espaço coordenado pela amiga e poeta, Suzana Vargas, relançarei meu livro,”DEL APRENDIZAJE DEL AIRE/DO APRENDIZADO DO AR” e, na oportunidade, haverá a estreia da peça de minha autoria, "EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS”, um monólogo poético-musical, que será lida e cantada por amigos atores, seguido de uma conversa com a plateia.

Para minha alegria, muitos já prestigiaram os lançamentos anteriores deste livro, mas, ficarei bastante feliz com a presença de todos.

Abaixo, segue a programação da tarde.

Abração meu, Tanussi

ESTAÇÃO DAS LETRAS
Aqui se faz Literatura

convida para o lançamento do livro

DEL APRENDIZAJE DEL AIRE
DO APRENDIZADO DO AR
antologia poética bilíngue, português/espanhol)
Ed. Fivestar

e para a leitura pública da peça

“EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS”
(monólogo poético-musical)
de
TANUSSI CARDOSO,

Programação:

- Apresentação: TANUSSI CARDOSO
- Leitura do Monólogo Poético-Musical,
“EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS”
com CARMEN MORENO
DELAYNE BRASIL
EUGÊNIA HENRIQUES LORETI
JORGE VENTURA
LUIZ FERNANDO DAFNE
TANUSSI CARDOSO
e TELMA COSTA

- Conversa do autor com a plateia
-Lançamento do livro e autógrafos
- Coquetel
apoio: Lelu's buffet / Lêda / 21-2281-9006)

Dia: 02 de julho, sábado, das 15h às 19h

Local: ESTAÇÃO DAS LETRAS

Rua Marquês de Abrantes, 177, loja 107, Flamengo
(Metrô Flamengo, saída Marquês de Abrantes)
Tel: (21) 3237-3947